segunda-feira, 25 de junho de 2007

A arte de dizer "sim"

Recentemente, fiquei assustado. Pipocam por todos os lados palestras e cursos sobre a arte de dizer "não". Porém, pergunto o porquê desta paranóia negativa, quando o grande problema é justamente não sabermos quando dizer "sim"?
O "não", já aprendemos, na maioria das vezes, antes mesmo de dizer "pai" ou "mãe" ( papai e mamãe para alguns mais carinhosos). O "não" virou um clichê de ideologia barata: Diga não às drogas! Ao álcool! Ao Pedágio! Seja lá o que for, a sociedade se fez acreditar na eficácia do negativismo imediato, sem se perceber que criou um monstro chamado Hipocrisia.
Sim! A hipocrisia de um "não" imediato, sem análise, que conhecemos desde a infância.
Então, vamos à importância de um "sim" concreto! Não é aquele que dizemos por acaso às vezes no altar da Igreja, como se esse fosse o padrão ideal da resposta ao matrimônio. O ideal neste caso, seria o "aceito", que demonstraria o pleno conhecimento dos futuros cônjuges com suas obrigações reais de casado,ao invés daquele "sim" romântico, imortalizado pelas novelas e vendido pelas empresas de eventos. Este "sim" está sempre à boca, como que esperando para sair em qualquer atendimento comercial: Sim? Em que posso ajudar? É a mais pura verdade, precisamos, sim, de cursos e palestras sobre como dizer "sim"!
A necessidade identificada está no controle dos nossos positivismos exacerbados. Observe, no caso do casamento, o "sim, eu aceito" lhe confere uma responsabilidade dobrada, por isso, quase ninguém fala.
Ou então uma situação cotidiana, aquele favor que um amigo está lhe pedindo e você não quer fazer, ou não pode. O elemento praticamente já lhe põe contra a parede: Você pode me fazer um favor? Mesmo sabendo que ele não dispõe de toda essa educação, você acaba entrando na onda e dizendo "Sim, claro!" como se fosse o salvador da Pátria! O "sim, claro" também lhe deixou duplamente comprometido.
Agora, essa é para as mulheres e homens que são constantemente assediados, pela sua beleza, inteligência ou simplesmente pelos seus corpos bonitos. Quando não falamos não para alguma cantada, mesmo que aquelas mais disfarçadas do mundo, é o mesmo que dizer "sim". É a máxima do "quem cala, consente" que vale para vários setores da sociedade, criminal, familiar, comercial e, lógico, o afetivo. Quando o "não" falha, o "sim" assume automaticamente sua posição social e lá ficam as pessoas, esperançosas por um beijo ou um jantar que lhe abra as portas para satisfazerem seus sentimentos, mesmo que impossíveis. Quanto sofrimento um simples "sim" calado pode causar... O ser humano, ingênuo, acha que é falta de educação dizer "não", mesmo sabendo que não pode dizer "sim"! O não, neste caso, quando adiado, é objeto de um intensivão, pois é muito complicado.
Política. Essa é uma fábrica de "sins" indigestos. Lembram o referendo do desarmamento? A pergunta era tão maliciosa que eu mesmo não sabia o que respoder! Na dúvida optei pelo não. Afinal, como bom ser humano, estou aprendendo a dizer sim. Aos poucos, sem exageros, para não errar...

3 comentários:

Emilia disse...

Ahahah, amei o texto e sabe você escreve umas coisas que nunca pensei a respeito, sim e não , como sempre muito cabeça, muito informativo, alertivo, e todos os ivos ahahah, beijão alan to de olho nos textos.

Emilia - cu

Ana disse...

Adorei esse texto... show de bola e bem certinho mesmo, eu vivo dizendo sim quando por dentro quero dizer um grande NÃO... coisas da vida... mas nunca eh tarde pra aprender né? Beijos

Luana disse...

Parabens pelo texto, ficou muito bom... realmente nunca pensei na importancia dessas duas palavras...
Bjus.