terça-feira, 31 de julho de 2007

Sobre ACM, aviões e Pan.

Foram dias movimentados. Os últimos dias foram a maior prova do ceticismo e soberba da humanidade brasileira. Na política, o vazio enorme provocado pela morte de Antônio Carlos Magalhães nos deixa atônitos com a contemplação dos seus quarenta anos de carreira. Um verdadeiro emaranhado de decisões e influências que, com certeza não será igualado nem superado tão cedo por seus aliados ou potenciais adversários. A política de ACM não existe mais, e nem mesmo seus familiares serão capazes de imitá-la, pois são apenas um fruto de sua invejável habilidade de relacionamento, persuasão e, claro, da sua paixão assumida pelo poder.

Mas, enquanto Deus, o Diabo e os Orixás discutiam o destino do coronel baiano que agonizava, por ali passava o vôo 3054 da TAM, e protagonizava uma tragédia sem precedentes na história de nossos vôos gloriosos. Aliás, uma história que vem sendo manchada pela incompetência mórbida da política brasileira, tanto governista quanto oposicionista, e que nada mais tem gerado a não ser a morte prematura, a irritação, o caos e a revolta dos usuários do sistema aéreo.
Neste mesmo, o Pan demonstrou que os atletas brasileiros sabem o que querem. Apesar das vaias e dos holofotes exagerados aos políticos e organizadores do evento, a delegação canarinho fez valer os jogos em casa. E desviou nossos olhos dos sorrisos dos políticos, responsáveis por todo o caos do Brasil, e que, quebraram todos os recordes de oportunismo em função do evento continental. Como já ouvimos de um deles mesmo, “jamais na história deste país se viu tanto oportunismo.” Aos atletas, então, os merecidos aplausos, aos políticos, as vaias.
Mas ainda temos mais um fator que não costuma ser analisado pela crítica: a sociedade cética. Sim, ela está presente nas tecnologias, na moda, na busca pelo capital e pelas aparências, e faz com que o ser humano movimente-se cada vez mais rápido, sem tempo para pensar, somente para atender à correria do seu cotidiano. A sociedade acredita demais nas máquinas criadas por homens falíveis, em sistemas que prometem agilidade na resolução dos mais variados processos de vida, trabalho, educação, transporte, saúde e informação. Uma ciência que, quanto mais avança, menos chega às conclusões que gostaria de chegar, e nos deixa com um saldo de vítimas cada vez maior. Ficamos, todos, cada vez mais dependentes das vaidades da ciência que almeja tomar o lugar de um Deus que somente será lembrado nas lágrimas egoístas dos que ficam vivos.
O objetivo humano de igualar-se aos pássaros está abalado. Assim, resta-nos somente a esperança de que, pelo menos nos nossos sonhos, possamos voar em paz. Com ou sem políticos e aviões.

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