domingo, 7 de dezembro de 2008

Retrospectiva 2008 - Algumas verdades.

Ano cansativo esse. A humanidade está tornando tudo muito cansativo. Especialmente no Brasil onde o populismo de Lula e da Rede Globo imperam com uma prepotência perene, a elite cultural, que não manda em coisa alguma, está demonstrando sinais de fraqueza e cansaço, na sua eterna luta contra a banalização da sociedade. Raras exceções, o ano de 2008 merece ser esquecido.
Recentemente, para que nossa pouca ou nenhuma memória falhe, relembramos através da revista Veja que há um casal Nardoni na cadeira, esperando por um julgamento já forjado pela tal opinião pública. Um dos crimes mais chocantes da nossa história? Na verdade, não. O que existe é uma predisposição psicológica enquanto existe uma massa popular reunida, para se formatar uma consciência coletiva politicamente correta. Mas na verdade muitas pessoas, até mesmo você que está lendo o texto, pode não estar nem aí com essa história, afinal, que diferença fez isso para você? É um julgamento cheio de pressupostos, e extremamente prejudicado pelo show business do Quarto Poder. Ah! Como ficamos envaidecidos em discutir a justiça nas esquinas, nos escritórios, e como nos sentimos menos criminosos com isso...
Não podemos esquecer outro show, o do delinqüente Lindemberg, estereótipo negativo da torcida do São Paulo, campeão de novo. Mas agora, um pouco depois deste episódio triste, podemos ver que o crime abriu algumas portas. A primeira, para a observação perspicaz da polícia (de Alagoas, claro) identificando, no pai de Eloá, um foragido da Justiça, ponto para eles. A segunda para a amiga de Eloá, Nayara, uma jovem da nova geração que não se incomoda nenhum pouco com as câmeras, e deu todas as declarações com firmeza maior do que muito ator, não duvido que logo esteja fazendo testes para a mídia, afinal, show business é isso, oportunidade de visibilidade, agarre. Grande visibilidade também na ocasião para a polícia de São Paulo, e para os oportunistas “peritos” que deram declarações sobre a atuação da polícia, desde gente da SWAT, passando por mim, até Arnaldo Jabor, que queria uma microcâmera na janela do apartamento. Pois é, não dá para agradar a todos, nem o show business consegue.
Desencadeada no mês de julho, a Operação Satiagraha, da Polícia Federal demonstra uma queda de braço entre os Poderes Executivo e Judiciário, a todo momento expondo suas fragilidades diante do acúmulo de informações e especulações diárias proferidas por todo tipo de gerador de fatos. Não há outro ganhador com tamanha confusão além dos criminosos, e a credibilidade da Polícia Federal e do STF fica em xeque. Agora, amigo leitor, vamos continuar com o ataque de sinceridade, o que mudou para você até agora?
A boa notícia está a cargo do programa CQC, da Bandeirantes, que estreou em março e, esse sim marcou um fato jornalístico: A idéia do jornalismo-qualidade sempre defendida pela Rede Globo deu lugar ao jornalismo irreverente, uma tendência por aqui e já presente há anos no exterior. Há os que comparam a trupe ao medíocre e popularesco Pânico, da Jovem Pan, até há uma mínima semelhança, mas a grande diferença está na ferramenta principal: o próprio jornalismo. Marcelo Tas e Cia abusam do fato de fazerem parte da esfera do Quarto Poder para, com brincadeiras bem sérias, apavorarem políticos e celebridades, vida longa à mosca.
Dercy Gonçalves morreu, além de Beto Carrero, Ruth Cardoso, Dorival Caymmi, Richard Wright, Paul Newman e Artur da Távola. Também teve o Heath Ledger, o Coringa psicopata do último filme novo do Batman, o ator, mediano, gastou todo seu potencial no personagem, ficou claramente sem nada para a posteridade. Encerrou com uma excelente performance, mas, de tudo o que foi dito sobre o fato, o que melhor define a situação foi a declaração de Jack Nicholson: “Eu avisei”. Com exceção de Dercy, a morte destas pessoas nos torna um tanto pobres, culturalmente. Afinal, palavrões nunca acrescentaram nada à televisão, teatro, literatura ou cinema, por isso, Dercy não nos deixa nada além de extravagância. Detalhe, Fidel Continua vivo, até quando?
Foi ano de eleições no Brasil, para vereadores e prefeitos. Além da surra maravilhosa que o PT levou em Curitiba, nada que mereça comentários.
Foi ano de eleição nos Estados Unidos. Bush deixou para Obama um incêndio, típico presente de grego. Mas o fato do democrata ter vencido demonstra mais do que algo inédito, demonstra também a lentidão e falta de percepção de um povo que deixou um desequilibrado no poder durante longos oito anos. É um povo acostumado ao sucesso e à tecnologia, bons salários e bom sistema previdenciário. Mas o melhor mesmo das eleições, em minha opinião foi Sarah Palin, popular e engraçada, deu uma nova cara á política americana. Esperem por campanhas mais quentes nos próximos certames, e com mais mulheres estilosas. No Brasil? Só temos Manuela D’Ávila, Dilma Roussef, Gleisi Hofmann e Marta Suplicy, todas de esquerda, nenhuma estilosa, e as piadas ficam todas por conta da Marta. Não vejo graça, vou esperar a eleição americana. Hillary x Sarah Palin, e podemos esperar também por uma destas divas, tipo Angelina Jolie. Por aqui, artista é de esquerda, uma pena.
Agora, a parte mais divertida, o futebol. Dois anos atrás eu discordava da torcida do Coritiba, que crucificava o Gionédis pela má fase do clube, então na segunda divisão. Meu argumento era que não adiantava o clube paranaense disputar o certame da elite, pois, na parte de cima da pirâmide, ninguém ganhava do São Paulo. O Coritiba voltou à elite, e nada mudou. Vou começar pelo fato de que, desta vez, o São Paulo foi o verdadeiro beneficiado pelos erros imperdoáveis de Flamengo, Grêmio e Palmeiras, que ameaçaram fazer um campeonato diferente esse ano. Mas tudo bem, pelo menos o campeão não foi por acidente total, apesar de que o desânimo tomou conta do Goiás assim que tomou um gol ilegal no primeiro tempo. O São Paulo não tinha o melhor time, mas continua sendo a melhor estrutura e a melhor administração financeira do futebol nacional. Também tivemos a divertidíssima queda do Vasco para a Segundona. A herança de Eurico Miranda para Roberto Dinamite foi tipo de Bush para Obama. O Atlético-PR, graças ao Flamengo, foi o que mais lucrou, saiu da zona de rebaixamento diretamente para a Sulamericana. O mengão não quis ir para a Libertadores. Concordo, se for para fazer os mesmos fiascos da última vez, é melhor continuar comemorando Taça Guanabara. Está na hora de se desfazer de Caio Júnior, esquecer o pé-frio do Cuca e partir para a contratação de um técnico. Volto a sugerir Joel Santana, Scolari, Zico, ou o agora mais barato Renato Gaúcho. Aliás vai começar a onda do politicamente correto, garanto que o presidente do Flamengo vai querer se solidarizar com o arqui-rival, e outras besteiras. Garanto que você, que é flamenguista, está se matando de rir agora, com uma felicidade talvez maior até do que a conquista de um título. Renato Gaúcho que pague pela boca, que Márcio Braga pague pela boca, na hora errada, todos são incorretos politicamente, agora o campeonato acabou, não há mais porquê falar.

Caros amigos, como já disse, o ano foi cansativo, está chegando a hora de descansarmos e revermos o nosso papel incisivamente crítico no espaço social e no pensamento humano. Desejo a todos, inclusive aos vascaínos, um excelente final de ano e um novo ano repleto de realizações. Obrigado pela paciência com os textos e pela interação, espero que no próximo ano possamos estar, todos, mais próximos.


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