segunda-feira, 6 de abril de 2009

Uma elegia de culpa.

Neste exato momento, estou presenciando uma tórrida discussão entre Tony Ramos e Thania Khalill, no embate cultural da novela Caminho das Índias. O que impressiona na sordidez de uma telenovela, é a maneira cruel de impressionar os telespectadores com o mesmo enredo de novelas anteriores. A crueldade prossegue pelo simples fato da televisão continuar ligada neste horário considerado nobre, porém, o menos inteligente da televisão brasileira.

Direcionando o problema à nossa boa e velha Curitiba, a equipe afiliada da TV Globo local nos presenteou, há algum tempo com a Revista RPC. Ainda estou pensando em qual é o verdadeiro objetivo do programa. Assisti alguns episódios, ou capítulos sei lá. Confesso amigo, que ainda não entendi. Os quadros mais engraçados eram apresentados por Diogo Portugal, que repetia suas piadas de dois anos atrás, com uma pitada de atualização em cima dos fatos de hoje. É a mesma receita do Casseta & Planeta, a piada é a mesma, só muda o fato em si. Em outra ocasião aconteceram alguns contos espíritas (claro), mais a série que mostrou uma versão superficial da história da tal Maria Bueno, uma santa inventada pelo povo daqui, na falta de outros curitibanos mais nobres. Na última edição, um ápice de mau gosto com a entrevista do assessor de gabinete do Presidente da República, o nome da criatura é Gilberto Carvalho, e segundo a TV Paranaense costuma apontar, é paranaense; talvez sua principal qualidade. A edição fez lembrar o antigo assessor de imagem do programa CQC, mostrando no início, o elemento fazendo de conta que está trabalhando, e depois o repórter chega como se “de surpresa” no ambiente do entrevistado, que demonstra estar em plena atividade. Tudo a mesma coisa, igual receita de novela.
Isso me orgulha muito na eficácia da programação da TV curitibana. Temos a maravilhosa TVE do Requião, cuja programação é o ápice da vergonha para a democracia. Mas podemos fugir para algum lugar um dia e nos refugiar, talvez, nos mutantes da TV Record, ou na própria Igreja Universal, que Deus nos ajude.
Mas nem tudo são farpas meus amigos. Curitiba fez aniversário, teve bolo e tudo mais, teve o tal Curitiba Country Festival, sobre tal festival também mantenho meus questionamentos. A reportagem (da RPC) mostrou que 55% da população curitibana gosta de música sertaneja! É um dado importantíssimo, se considerarmos que exatamente 55% da população não são curitibanos, conforme a mesma RPC! Gente estamos chegando à conclusões maravilhosas sobre nossa Curitiba! E agora?
Vamos aos verdadeiros problemas. Como faremos para nos livrar do freak show do transporte coletivo, que é tomado como exemplo para muitas cidades? Quem vai acabar com o espetáculo deprimente dos ônibus lotados de pessoas sem educação, manos com suas manias escrotas, torcidas organizadas sem controle, o transporte pode ser realmente bom, mas e o povo? Esta é uma situação verdadeira que aparece nos registros de mídia uma vez ou outra, com pouca repercussão, e colocando o ônus do caos somente nas empresas de ônibus. Talvez quando os seguranças dos shoppings e a PM decidirem usar a força novamente o assunto volte à pauta.
Mas por que esquecemos tão rapidamente de tudo isso? Estou sendo simplório eu sei, mas é que um amigo perguntou-me sobre o que penso a respeito do BBB, aquele confinamento de pessoas diversas, com pensamentos diversos e aparências diversas também, no qual todos ficam telefonando para votar nos supostos vencedores, ou tirando os perdedores. O BBB funciona da seguinte maneira: pessoas humanas, diversas ou não, são curiosos. E gostam de saber coisas sobre pessoas como você, como eu, ou que pelo menos se pareçam com elas, seja na pobreza intelectual, na aparência, na maneira de falar ou pensar, essas coisas. Esse tipo de atração e curiosidade acontece muito nas classes C e D da população, cujo acesso à informação e ao entretenimento estão limitados à televisão e internet, mas observem que estou utilizando um termo genérico, esse afã pela vida alheia não é exclusividade destas classes sociais. Essas classes, porém, movimentam um mercado bilionário, pois são fiéis à suas compras, e gostam de sentirem-se participativos em programas com os quais se identificam. A fofoca é interessante, distrai. Tentar adivinhar o que fulano faz ou deixa de fazer. Criticar outro “personagem” que, na visão do telespectador são pessoas comuns que têm a chance de “vencer na vida”. A ilusão está formada, e aliada com grandes marcas e patrocinadores temos como resultado o espetáculo interativo mais lucrativo da televisão brasileira. Explorar o meu e o seu lado curioso é muito lucrativo. É a mesma receita da novela. O mesmo enredo, pessoas diferentes. E o que é pior, os mesmos telespectadores.
Assim como no transporte coletivo, a culpa não é só das empresas. Pensemos nisso.
Feliz Páscoa a todos.

3 comentários:

Anônimo disse...

Idéia:
Após a cascata destilada sem fim de críticas ao que o povão gosta,escrevo para lhe dar uma idéia, faça um texto dando alternativas de programas, livros, lugares,filmes, entre outros entretenimentos existentes na grande curitiba, famosa por seu povo engomado,sistemático e com extremo Bom gosto. Pode ser que 10%vá conferir, porque o restante não possui condições físicas, financeira e mental para ir ao teatro, cinema entre outros. Permanecem tentando se divertir em casa mesmo com o BBB, Zorra total, show do tom, eliane, Faustão, e até sonhando estar no lugar de um dos participantes que estão na corrida para ganhar o tão falado milhão,mas não tem aparência e nem QI (quem indica) para participar de um programa desse. sonho de pobre e infelizmente a maioria em nosso país são os assalariados, sem cultura e sem noção, sem teto. Se identificam com as histórias contadas na Revista RPC, que na sua maioria fazem parte da cultura e contos da região, e como são histórias do povo tem que ter o fascínio do desconhecido(espiríta)senão não há a menor graça em contar isso,
Quanto as pessoas que utilizam os onibus da cidade, são sempre as mesmas, gangues de manos (agora, antes eram os metaleiros, surfistas pé-rapados com suas pranchas dentro do coletivos com destino a rodoviária para ir ao litoral) e quem já não foi de alguma tribo? Darks, góticos, e agora os emos.
O que difere é que hoje somos mais velhos e como todo curitibano não suportamos a rebeldia e anarquia dos mais jovens.Em pensar que um dia já fomos isso também.
Abração - cabeça de pano
Nada se cria tudo se copia, o mundo dá voltas, são sempre os mesmos, quer mais??

ALLAN LUIS PEREIRA disse...

Grande postagem! Vamos às soluções que estão, em sua extrema maioria, na mesma internet frequentada pelos exímios votantes do BBB e espectadores da grande mídia. Peças de teatro na modorrenta Curita, de grande valor que custam no máximo 15 reais estão em toda parte (buscar em qualquer site, como o Hagah), cinema alternativo na Cinemateca (de graça), oficinas de dança e literatura sobrando vagas na FCC ( Fundação Cultural de Curitiba )isso sem falar nos bate-papos gratuitos que existem para todos os gostos espalhados pelas livrarias, feiras e eventos de toda sorte. As condições físicas ou financeiras são as mesmas utilizadas para quem prefere ficar em casa assistindo (com todo o direito) ou escolhe sair por aí segurando celulares de última geração escutando músicas que nem a própria cabeça de pano consegue ouvir, uma vez que já é uma convertida ao metal, após anos de lavagem cerebral à La Iron Maiden, mas que já fez parte dos tais surfistas. Na mesma lan house que custa 3 reais a hora para ficar no orkut, com o mesmo dinheiro basta abrir uma janela lateral e verificar a agenda mais apropriada. Mesmo assim concordo que no máximo 10% decida conferir, o que já acho uma grande vitória. A diferença da minha estratégia é que se uma única pessoa decidir se direcionar à cultura, já valeu a pena. Edir Macedo também começou do nada.

Emilia disse...

Muito boa! Gostei, kkkkkk vc é ótimo, claro que nessa vida de fases tivemos a oportunidade de sermos tudo, dark, gótico, surfista, metaleiro, maloqueiro kkkkkk e isso é legal, pois temos história pra contar, beijão hoje nem to afim de te cutucar kkkk to zen