segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Um país e seus mitos.



A reflexão vai além deste resultado eleitoral. Vai até onde pudermos esclarecer o fato inédito que estamos vivendo, suas causas e consequências. Dilma Roussef é a presidente do Brasil, nada vai mudar isso nos próximos quatro anos, a não ser um processo de impeachment, mas que acho que não vai valer a pena, pois o vice é o Michel Temer, e se ele porventura cair, o presidente do Congresso Nacional nem faço idéia de
quem seja hoje, tamanha a desestruturação que acontece em função de ano eleitoral. Então vamos nos basear em quatro fatos básicos para este resultado eleitoral.

Primeiro fato: Dilma é a primeira mulher a assumir a Presidência da República. A estratégia de marketing da esquerda brasileira é assim mesmo, valorizar o ineditismo, mesmo que isso custe o que custar. A imagem é o que interessa, Lula foi o "operário" que subiu ao poder, Dilma a primeira mulher, os mitos vão se construindo, o povo gosta de mitos, e aí o primeiro erro da oposição: Serra não tinha mais como ser um mito, é um político comum, não tinha nada de extraordinário. Aliás o PSDB não tem ninguém para alçar à condição de mito. 

Segundo fato: José Sarney, Fernando Collor, José Dirceu e outras figuras podem não ser muito queridas de nós, que temos acesso à um pouco de informação, mesmo que manipulada. Mas são  poderosos arrebanhadores de votos nos seus currais, sabe-se lá sob quais métodos,  e isso sempre fará a diferença. Eles voltarão ao poder sempre que um mito estiver à frente de suas campanhas, e a imagem de Lula sempre foi perfeita para isso.


Terceiro fato: A isenção de Marina Silva foi fatal para José Serra. A ex-candidata pensou, acertadamente na eleição de 2014, onde chegará, também com o status de mito. Tivesse apoiado qualquer um dos candidatos, teria o mesmo destino insosso de Ciro Gomes, que foi de pré-candidato à coordenador de campanha. Ciro, erradamente apoiou Lula no segundo turno em 2002, e com isso desmentiu sua capacidade de pensar sua auto-imagem política. Marina matou Serra, e começa as eleições de 2014 com 20 milhões de votos.


Quarto fato: Não existe uma opção verdadeiramente diferente no país. Aqui, falar em "Direita" é pecado, nem mesmo o próprio DEM, que seria o partido a representar esta visão política, consegue se  desvencilhar e manter-se como uma base sólida de oposição. Lula quer vê-lo extinto, como exemplo de democracia que a esquerda representa, seguindo no mesmo caminho de Chavez e Morales. Falta um fortalecimento desta idéia de Direita, que a esquerda sempre vai relacionar à regimes de ditadura militar. Chavez e Morales para eles, são exemplo a ser seguido. 

Enfim, o Brasil acordou de mais uma eleição onde o mito vence. Construído por estratégias inteligentes que convencem facilmente à 56% dos eleitores do país. A oposição tem quatro anos para desmistificar os mitos da situação, ou tentar criar o seu.

O operário, a primeira mulher... Qual será o próximo? Só o tempo dirá.

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