quarta-feira, 30 de setembro de 2009

FÁCIL, OU CERTO?




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É realmente engraçado. Engraçado como a humanidade coloca sua esperança nos homens, e nas suas filosofias. Seja no âmbito político, humanitário, ou até mesmo sentimental. É incrível como homens e mulheres nascem com o imperdoável estigma da falta de percepção, enquanto as raposas estão à espreita, a poucos metros, muito próximas mesmo. A humanidade continua esperando um messias político, cheio de poderes cuja compreensão passará longe das mais intelectualizadas mentes do mundo. 
As mulheres continuam criticando os homens, esculpindo modelos imaginários que, num passe de mágica podem estar à sua disposição. Os homens continuam vislumbrados pela juventude das meninas, e com esperança de que seus belos corpos sejam assim para sempre. As crianças são alimentadas em seus mimos e preguiças todos os dias, orientadas pelas centenas de informações psicológicas que bombardeiam aos pais e mestres, numa libertinagem explícita disfarçada de bom mocismo que a sociedade criou, para se livrar de suas culpas e de sua ignorância. As religiões continuam vendendo um Deus de prosperidade todos os dias, e todos os dias alguém o compra, escolhendo esse produto de acordo com suas facilidades, esquecendo-se de que, nossas escolhas quase sempre apontam em duas direções: aquilo que é fácil, e aquilo que é certo.
A comunicação aumentou, somente no volume, mas na qualidade continua péssima. Uma legião de pseudo-comunicadores hoje se transforma em celebridade instantaneamente, com aqueles recados do tipo “seja você mesmo”, numa apologia libertina, sem arte, vazia e sem nada a oferecer para a fome cultural que nos assola. Não, eles não tem culpa, sua audiência, sim.
É engraçado, como existem peças feitas para serem pregadas em trouxas crédulos que insistem em levantar das suas camas todos os dias e fazer o mesmo trajeto, sabendo que as mudanças que esperam não poderão ser feitas pelos outros, mas continuam acreditando nisso. Fazem parte de um rebanho inchado pela falta de ciência.
É hora de acreditar em outra coisa, meu amigo raro, e caro leitor. Seja naquilo que você pensa ser Deus, ou na sua inteligência que você tanto idolatra. Pois, muito próximo de você pode estar uma daquelas pessoas que não deseja que nada mude, que a política não mude, que a comunicação não mude, que a igreja não mude, que a escola não mude. O disfarce delas é facilitado pela nossa cegueira, e a liberdade que hoje acreditamos ter foi, na verdade, escolhida por elas.
É engraçado como, às vezes, tudo parece estar nas nossas mãos, tanto o que é fácil, como o que é certo.

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