domingo, 8 de novembro de 2009

Obrigado Geisy.




Ah! Os clichês, o que seríamos nós sem eles? Neste humilde comentário, amigos, analiso, com um pouco menos de comoção, o caso da estudante de Turismo Geysi, humilhada por seus colegas de faculdade, supostamente pelo motivo de estar com um vestido, digamos, mais voltado à turistas.

O que compromete qualquer juízo em relação a fatos que envolvem a chamada opinião pública, é que hoje, muitos gritam e tomam partido logo nos primeiros momentos, tomados por uma suposta indignação, ou mesmo para arrebanhar um pouco de audiência em seus veículos. Não se vê originalidade nas editorias que abordam o assunto, ninguém contesta, nem ataca qualquer versão em contrário da primeira que foi vendida, e não levam, em nenhum momento, a opinião antagônica em consideração, tampouco investigam as hipóteses. Pergunto agora a você, que acompanha na televisão, no rádio, na internet o caso: E se for armação? E se realmente ela provocou tal confusão, em busca de visibilidade? Como você, leitor, se sentiria se hoje, descobríssemos que o casal Nardoni é inocente da morte de Isabella? Qual é a informação "jornalística" que lhe dá tanta certeza de um suposto veredito, além daquela que melhor caiu no seu coraçãozinho, no momento em que as notícias tomaram a rede, em forma de um espetacular furo de reportagem? Seria o blog do seu amigo? A credibilidade do padrão Globo de qualidade? O jornalismo sensação do momento da Record? Ou ainda o Terra, ou o Uol, ou outra instituição qualquer que nunca tenha mentido para você?
Neste momento, acaba de ser publicada a expulsão da tal Geisy Arruda, em função de comportamento inadequado, se correto ou não, é uma questão da Instituição. Minha humilde opinião é que os agressores, baderneiros e todos os que colocaram os vídeos na rede devem ser igualmente tratados, com expulsão.
No entanto, para se conseguir tal comoção, tal movimento como o que aconteceu na Uniban, o que seria necessário?
Dentro de presídios, Rita Cadillac já fez shows muito mais eróticos que o tal microvestido, e conseguiu despertar furor nos elementos que lá se encontravam, isolados do mundo, etc. O detalhe é que, para causar tal furou existe uma ação e uma reação. A reação é o furor, mas e a ação, qual foi?
Os textos já estavam prontos, algo como "fui elogiada por amigas" ou "tudo começou com uma brincadeira", e nas reportagens que vi, e não foram poucas, somente uma pessoa posou de antagônica, e com uma edição daquelas do tipo, para fazê-la parecer ridícula, como se a situação já não o fosse em demasia. Eram muitas pessoas, muita gente difamando a moça. Pergunto por que só quiseram ouvir a Universidade e seus representantes, e não investiram nas perguntas para as centenas de pessoas que ameaçaram a moça?
Observem, não estou afirmando que não é possível tanta comoção por um microvestido, acho muito difícil, mas não impossível. Geisy é assunto internacional, a Uniban está sendo execrada por defensores da tal liberdade assegurada na Constituição, e nada mudará, Assim como os magistrados que forem analisar os processos resultantes do fato, dificilmente decidirão por algo do tipo "Geisy, você realmente provocou tudo aquilo por que quis aparecer, e o seu vestido ,além de curto, tinha uma cor pejorativa, própria somente para o ambiente que você frequenta fora da universidade". Jamais ouviremos isso, afinal, a chamada "comoção popular" já destruiu todas as possibilidades de um julgamento visto por ângulos, no mínimo, imparciais.
Mídia não deve ser imparcial, isso é uma utopia. Mas em casos de crime, ou ameaça à ordem social, como foi o caso da Uniban, no mínimo deveria aguardar um processo mais apurado de investigação, ou mesmo realizar o tal jornalismo investigativo, para depois espetacularizar o quanto quisesse. Isso nos pouparia de intervenções textuais dispensáveis, de gente que só quer audiência, como a da tal Secretaria Especial de Poíltica para Mulheres, do Movimento Feminista, e até da UNE que entende, no máximo, de queimar pneus na rua e invadir reitorias.
Tudo bem, talvez essa seja a minha utopia de consumidor de mídia. Se Gleisy ganhar uma grana e ficar mais famosa com esta história, terei esperança, afinal, sonhos podem se tornar realidade, e fica para nós, essa grande inspiração empreendora. Desde já, obrigado Gleisy.

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