sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Feliz Finados!

Este é um dia realmente especial. Apesar da Igreja oficializar a data em meados do século X, muito antes disso várias nações realizam festas e orações aos seus falecidos. Uma das mais interessantes é a do México, que tem origens fortes na cultura indígena e que deixa suas ruas tomadas por belas caveiras, tudo fica muito colorido, numa grande celebração da vida e nada tem a ver com o cinza que toma conta do Brasil.
Somente agora o catolicismo tenta implantar a alegria da festa dos mortos, através das animadas celebrações carismáticas. A idéia de rezar pelos mortos é realmente gratificante, de modo que a Igreja inclui os mortos em toda a sua liturgia e eles têm uma importância fundamental na espiritualidade dos vivos.

Isso mesmo, o rito Católico sugere uma relação intensa com os mortos, mas não com os espíritos deles, como na doutrina espírita. O que acontece é que as orações são destinadas àqueles que estão no Purgatório, um lugar de purificação que, segundo a sã doutrina da Igreja, é a certeza de que um dia chegar ao Paraíso, diferente daqueles que foram eleitos ao inferno. Mas como não se sabe onde está um ou outro, rezamos por todos eles mesmo.
Outra importância da oração pelos defuntos, principalmente os antepassados, é a “cura de gerações”. Sim, as quebras de maldições anunciadas por protestantes, espíritas e outros também existe na Igreja Católica, porém com uma visão diferente. Não são espíritos sem doutrina e perturbados que podem atrapalhar a vida das pessoas. Nem mesmo os tais “encostos” emanam tal poder. Essas situações podem , perfeitamente podem ser resolvidas através de muitas orações pelos antepassados, direcionadas, principalmente, ao sentimento de perdão que liberta e dá paz a vivos e mortos.
Esses motivos já seriam suficientes para nos mostramos mais alegres com o 02 de novembro, afinal, os mortos merecem respeito sim, mas a melancolia das celebrações torna a data praticamente como um novo luto. Inaceitável.
As caveiras do México têm muito a nos ensinar, na verdade elas mostram que a festa pertence a todos, vivos ou não. Pois o que há de mais comum entre vivos e mortos é uma caveira. A diferença é que as ossadas dos vivos se mexem. A morte é uma festa igualitária, que junta a todos, ricos ou pobres, numa única ceia em que não há poder para que alguém fique com os melhores lugares. Todos comerão o mesmo prato, frio ou quente. Sempre gostei muito de caveiras, depois desta reflexão, passei a gostar mais ainda.
Porém, como é muito difícil mudar o mundo ou a cultura de um povo, sugiro que, aqueles que gostam de viver, aproveitem melhor o Dia dos Mortos, numa lembrança de carinho e ternura para os que já passaram “desta para melhor”, e desejando sempre o melhor final de jornada possível.
Portanto, bom feriado e boa morte a todos.

2 comentários:

Emilia disse...

Gostei muito da história do méxico, quanto as comparações sinto muito mas não concordo com algumas de suas citações, refleti muito a respeito disso depois de nossa conversa ontem. Cheguei a conclusão que a crença(o nome já diz) realmente é aquilo que vc acredita com a alma, se identifica e faz bem pra sua vida não me importa mais debater, ficar tentando convençer, as pessoas tem que sentir a fé e a esperança den tro de seus corações, e sendo convencido ou mudando de idéia mas ainda com dúvidas, não sentirá como eu, então não vale a pena, fico feliz de você estar bem certo de suas crenças e realmente brigando por ela como pude observar, isso aí , naquele momento pude ver o amor de deus em ti, e é isso que realmente vale a pena em cada uma das religiões existente no mundo de hoje.Que elas façam bem ao homem, e o doutrine para termros um mundo melhor!!! beijão te considero pacas Emilia

Allan disse...

Assim como é possível verificar, o texto não tenta convencer a ninguém uma mudança de crença. Nem mesmo critica uma ou outra. É apenas uma referência cultural à forma que alguns povos lidam com a morte. As crenças estão, simplesmente relacionadas como referência à essa forma de aceitar a única certeza que nos rodeia. Crentes, ou não, morreremos todos.